Domingo, 18 de Dezembro de 2011

Teste :)

O caderno era constituído por uma capa bastante invulgar, repleto de figurinhas infantis, e por montes de folhas brancas como a neve. Permaneceu intacto durante inúmeras horas e custou-me usufruir do seu papel, pois a minha imaginação não se encontrava nos meus melhores dias. Olhei, esperançosamente, pela janela em busca de algo para encher as páginas ainda por estrear. Tornou-se uma tentativa ineficaz visto que as palavras permaneceram escondidas, ofuscadas no mais rebuscado sítio, onde eu não consigo, de modo algum, encontrá-las.

Alinhei-me, tentando manter uma postura surta, respirei fundo e comecei a ordenar as ideias e os pensamentos incontroláveis. Tudo manifestava um grau de complexidade que eu, simplesmente, não entendia.

A folha permanecia branca, vazia e sem conteúdo. Parecia intocável porque ao ir até aos confins da minha mente, tentando descobrir alguma coisa que tivesse o mínimo sentido, trazia mais inquietações ao meu estado de espírito. Subitamente, surgiu-me a ideia de fazer um romance. Escrevi
uma frase, rasurei. Escrevi mais duas frases, sem qualquer interesse, risquei. Após mais quatro tentativas, achei que o problema fosse do papel, e um gesto pouco preciso e brusco, rasguei aquele pedaço e (re)comecei de novo. Mas, nada feito…

Agarrei fortemente o caderno e soltei lágrimas que pareciam inesgotáveis. Simplesmente, não conseguia lidar com a frustração de não criar algo bem estruturado. As sílabas embatiam umas nas outras mas não se juntavam corretamente, as palavras formadas eram incompreensíveis e o texto não tinha nexo algum.

Pensei em desistir mas havia algo em mim que não permitia tal coisa. Acolhi, de novo, o papel e agarrei firmemente a caneta preta… Estava
disposta a sacrificar todo o tempo do mundo para arranjar uma página da qual me orgulhasse profundamente. Tentei escrever histórias de aventura e de fantasia, uma novela, um poema e tentei aplicar os meus conhecimentos filosóficos mas não estava, de modo algum, ao meu agrado. Exigia demais de mim própria.

Foi então que percebi uma coisa excecional! A vida funciona como um texto, uma simples folha de papel na qual escrevemos uma história. E
ali estamos nós, sempre agarrados à caneta. Desenhamos letras, formamos palavras, expressamos opiniões, ideias, pensamentos e filosofias de vida,
fazendo parágrafos e construindo capítulos. Há momentos em que desejamos voltar para trás, modificar o sucedido mas as páginas escritas são irreversíveis. Porém, podemos começar de novo e continuar a escrever sem cometer o mesmo erro. As personagens da história estão, constantemente, a mudar. Mas, as que marcam o leitor são as principais, as que se fala do início ao fim, pois são aquelas que despertam as emoções contraditórias. O resto é secundário. Quando existe felicidade, a história nunca acaba pois terá sempre algo acrescentar… Quando se é feliz, não há final.

publicado por InêsGonzalez às 22:55
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